Eleonora de Albuquerque
O texto de Rubinstein (2002), denominado "Utilização
do Jogo e da Brincadeira em Psicopedagogia: Uma abordagem Clínica”, esclarece que o jogo e a brincadeira são
utilizados uma forma de diagnosticar e avaliar as dificuldades de aprendizagem,
enfatizando que por meio dos jogos e das brincadeiras é possível para a criança
ultrapassar suas dificuldades sem o tradicional medo do erro e da punição, não
se sentido rebaixado ou derrotado.
A
autora faz menção ao jogo como um recurso associado à prática psicopedagógica
partindo das teorias de Kernberg, Macedo, Piaget, Vygotsky e Winicotti, que
fazem referência ao jogo e a brincadeira como instrumento de aprendizagem, por
considerarem sua importância no desenvolvimento físico, intelectual e social da
criança, motivo pelo qual, a Psicopedagogia Clínica, dele faz uso.
1.1 – O Jogo e o brinquedo como atividades sérias
Reduzir
o jogo a uma prática de diversão, não somente deixa de lado toda uma
aprendizagem que seria possível ser conquistada através dos jogos e brincadeiras,
como também, rebaixa o jogo a uma atividade sem sentido, desprezando parte do
“orgulho e grandeza próprio do caráter do jogo humano”. Brenelli, (1996, p.21),
Sob
o ponto de vista de Piaget (1996, p. 21) "por meio da atividade lúdica, a
criança assimila ou interpreta a realidade e a si própria, atribuindo, então,
ao jogo um valor educacional muito grande". A teoria piagentina, utilizada
pela Psicopedagogia Clínica, esclarece a necessidade de uma síntese entre
assimilação e acomodação, ressaltando que a criança precisa assimilar aquele
que aprende, acomodar (interiorizar, compreender), para que a aprendizagem seja
significante.
Se
o jogo for utilizado apenas como uma brincadeira recreativa, seu uso não serve
à aprendizagem, posto que, retira da criança a possibilidade de competir, se
arriscar, acertar ou errar e participar dele como um fator de
aprendizagem. Ainda com relação aos
jogos, a autora, utiliza os pareceres de Piaget (1964) para uma melhor
compreensão de seus significados quando cita:
Piaget (1964)
estrutura o jogo em três categorias: jogo de exercício, onde o objetivo é
exercitar a função em si; jogo simbólico. Onde o individuo coloca significado
independente das características do objeto, funcionando um esquema de
assimilação; e o jogo de regram onde está implícita uma relação interindividual
que exige a resignação por parte do
sujeito.
Compreende-se,
que as três categorias de jogo, exercício, simbólico e de regras, fazem parte
da vida do sujeito independentemente de qualquer intervenção externa,
especialmente o simbólico, que faz parte da imaginação e possui significações
características de cada sujeito. Pressupõe-se que seja, através do jogo
simbólico que o sujeito externa, todos
os seus medos, angústias ou quaisquer outros sentimentos que lhe reprime o ser.
os seus cita os jogos de regra, fazendo referência aos jogos de regras
"como um meio para o aluno estabelecer relações, quantificar
objetos". Desse modo, por meio dos
jogos o professor pode intervir na maximização das aprendizagens, a medida que
favorece o desenvolvimento da cooperação e da autonomia do aluno.
O
jogo de regras com objetivos de aprendizagem leva o sujeito a analisar,
comparar e justificar suas jogadas, num intercâmbio entre a diversão, que é o
ato de jogar e o raciocínio lógico, enriquecendo seus conhecimentos e suas
estruturas mentais, desenvolvendo sua aprendizagem de forma adequada para que
obtenha êxito em seu processo. No que
tange a psicopedagogia sua importância permite, ainda que indiretamente, uma
aproximação do mundo mental da criança, pela análise dos meios, dos
procedimentos utilizados ou construídos durante o jogo.
É
importante conhecer o modo como a criança pensa e reproduz seu pensamento no
ato de jogar, consistindo-se nisso, o processo pelo qual a criança produz suas
jogadas, as respostas para que se compreenda como ela constrói seu conhecimento
e consequentemente sua aprendizagem, constituindo-se esse conhecimento o
caminho que o Psicopedagogo percorre para desenvolver a aprendizagem do
sujeito. É o próprio jogador que se lança desafios, desejando provar seu poder
e sua forma mais para si mesmo que para os outros. Brenelli (1996, p.27).
Desse
modo, o jogo é uma atividade que por si
mesma atrai de modo peculiar o sujeito que se permitindo fazer parte do jogo,
constrói aprendizagens e ao mesmo tempo, expõem seus desejos e significações,
de modo que, seja possível, ultrapassar suas dificuldades de aprendizagem.
1.2
– Algumas Características das
Crianças Portadoras de Dificuldades de Aprendizagem
A
autora ao falar sobre as dificuldades de aprendizagem, ressalta algumas
características próprias de crianças com dificuldades de aprendizagem. Uma
delas, refere-se à dificuldade que o sujeito sente em lidar com o conceito
espaço-temporal, não conseguindo se localizar informações, ficando solto,
impossibilitado de perceber o sentido ou as informações obtidas.
A
dificuldade para descentração, retira do
sujeito a percepção de que para “compreender o objeto é necessário que se
afaste dele e possa percebê-lo como diferente daquele que observa”, tendo como conseqüência a ausência
de expressividade e de relacionar-se com o meio, sendo parte dele, porém, com
suas próprias subjetividade.
A
pequena tolerância à frustração, é uma das dificuldades de aprendizagem que
acontece rotineiramente. Ela acontece quando uma criança desiste de realizar
determinada tarefa quando percebem nela algum empecilho ou quando lhe é cobrado
que realize em determinado tempo, sendo essa forma de lidar com o objeto um dos
obstáculos à sua aprendizagem.
Comumente
essa questão acontece, sendo difícil para a criança ultrapassar o problema
sozinho sem ajuda de alguém que lhe traga incentivos para prosseguir com a
tarefa sem medo de errar e acreditando que ele é capaz de ultrapassar esse desafio.
No entanto, na escola, é comum, professores falarem que a criança não tem
interesse simplesmente porque não realiza suas tarefas.
Humor
deficiente e pouca disposição para brincar, é uma característica de crianças
que estão com a auto-estima diminuída devido aos constantes insucessos na
aprendizagem. O que é de fácil
compreensão, porque, isso acontece também com a pessoa adulta, quando se sentem
com a auto-estima baixo, retraindo-se e isolando-se do mundo, como forma de
esconder seus sentimentos de frustração diante daquilo que não conseguem
realizar. Com a criança ocorre o mesmo, no entanto, como a expressão maior da
criança é o brincar, fica fácil perceber quando ela se encontra nessa situação.
“Saco
sem fundo” é assim chamada essa dificuldade é tem relação com o comprometimento
da memória ocasionada por conflito emocional que compromete o cognitivo do
sujeito, de tal modo que ele fica com dificuldade para reter informações.
O
desinteresse pelo conhecimento
socialmente compartilhado, tem relação com a criança que não é estimulada para
aprendizagem, o conhecimento para ela não tem nenhum significado, porque a
escola e a família não compartilham com ela essas aprendizagens. Desse modo, a
constante subjetivação impede que se interesse pelo conhecimento em geral.
Considerações Finais
Por
ultimo, a capacidade para jogar e brincar “deslocada”, tem haver com ansiedade
ou distração, ocasionado a falta do equilíbrio necessário que faz com que o
sujeito de relacione com o mundo interno e externo de forma permanente e não
“deslocada” da realidade presente.
Pressupõe-se
que todas essas dificuldades são oriundas de questões que acontecem na vida do
sujeito, independentemente do seu querer, sendo consideradas formas de
obstáculos a aprendizagem, vez que, todo ser humano é apto a aprender, sendo o
estimulo a principal ferramenta que leva, especialmente, a criança, a gostar
daquilo que faz, e não se transformar em um “saco sem fundo”, “deslocado”, “com humor deficiente”, dentre outras, que
nada têm haver com as amplas habilidades e capacidades que possui o ser humano,
independentemente da educação formal.
A
Psicopedagogia clínica, à medida que analisa esses problemas e se propõe
através de seus conhecimentos a intervir nos problemas de aprendizagem,
contribui significativamente para que essas crianças resgatem sua dignidade e
possam se reintegrar ao convívio das aprendizagens sem frustrações e medos.
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